
Domingo, dia oito de Julho de 2007. O Rio de Janeiro fervilha com a proximidade dos jogos Pan-americanos. O metrô está abarrotado de pessoas que dedicaram seu agradável domingo às maravilhosas praias da cidade maravilhosa. Porém, não são só os banhistas que ocupam os velozes vagões subterrâneos. Uma grande diversidade de cariocas, jovens e velhos, bem arrumados ou não tanto assim, dirigem-se para a Cinelândia. Ali está localizado, desde o começo do século XX, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vizinho à escola de música da UFRJ, à câmara dos Vereadores, à belíssima Biblioteca Nacional e ao igualmente belo museu de Belas-Artes. O Turbilhão de pessoas que preenchem os lugares do teatro estão ali para uma ocasião muito especial. A neozelandesa Kiri te Kanawa, no auge de seus inacreditáveis 63 anos, dará um concerto ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira, OSB para os íntimos.
Kiri descende de uma família nobre de Maoris. Porém não é nobre apenas de sangue. Recebeu da monarca britânica, Elizabeth II o título de “Dame” do império britânico. Desde muito jovem Kiri radicou-se na Inglaterra, e foi ali que a belíssima soprano lírica, de timbre doce e versátil, iniciou sua carreira internacional, sobre os préstimos do então diretor do Covent Garden, o grande Sir Colin Davis, em meados de 1971. Porém, a jovem revelou-se efetivamente um pouco antes da estréia no Covent Garden. Foi no início de 1971 que Kiri obteve seu primeiro sucesso, cantando a Condessa de “Le nozze di Fígaro” na ópera de Santa Fé, no Novo México. Junto dela estava outra grande cantora de sua geração, a Mezzo Federica von Stade, que interpretava o papel “castratto” de Cherubino. Kiri e von Stade se tornariam grandes amigas e cantariam juntas em outras oportunidades. A partir de então a jovem de 27 anos iniciaria uma brilhante carreira internacional. Dois anos depois estrearia no Metropolitan Opera House de Nova York, uma de suas principais “casas”, no papel de Desdemona, substituindo Teresa Stratas. A heroína do “Otello” de Verdi seria um dos mais reconhecidos papeis de Kiri, desde então.
Kiri brilharia como uma das principais sopranos líricas do firmamento operistico durante os anos 70, 80 e 90. Seu repertório muito extenso percorria Puccini, Wagner, Strauss, Massenet, Verdi e outros grandes mestres. Além disso, dedicou-se com afinco a interpretar canções, oratórios, operetas e diversos estilos de canto clássico. Nos anos 80 Kiri grava as Bachianas Brasileiras nº5, de Villa-Lobos, sem grande sucesso de crítica, mas com grande sucesso entre os fãs brasileiros.
A já consagrada Kiri te Kanawa seria parceira constante de grandes nomes da cena lírica internacional, como Luciano Pavarotti, Plácido Domingo(Seu principal parceiro em gravações), Federica von Stade, Jose vam, Dam, Piero Cappuccilli, Mirela Freni, dentre outros.
Além de brilhar na cena lírica, Kiri gravou grandes compositores populares americanos, como Cole Porter e George Gershwin, e também emprestou sua belíssima voz lírica a alguns musicais da Broadway, para o terror de muitos de seus fãs mais conservadores. Ao lado de Jose Carreras, Kiri gravou o famoso musical “West Side Story”, sob a batuta do próprio compositor, Leonard Bernstein. Kiri também dedicou-se a divulgar a música popular de seu povo, os Maori da Nova Zelândia, cantando sempre uma canção tradicional em seus concertos pelo mundo.
Kiri descende de uma família nobre de Maoris. Porém não é nobre apenas de sangue. Recebeu da monarca britânica, Elizabeth II o título de “Dame” do império britânico. Desde muito jovem Kiri radicou-se na Inglaterra, e foi ali que a belíssima soprano lírica, de timbre doce e versátil, iniciou sua carreira internacional, sobre os préstimos do então diretor do Covent Garden, o grande Sir Colin Davis, em meados de 1971. Porém, a jovem revelou-se efetivamente um pouco antes da estréia no Covent Garden. Foi no início de 1971 que Kiri obteve seu primeiro sucesso, cantando a Condessa de “Le nozze di Fígaro” na ópera de Santa Fé, no Novo México. Junto dela estava outra grande cantora de sua geração, a Mezzo Federica von Stade, que interpretava o papel “castratto” de Cherubino. Kiri e von Stade se tornariam grandes amigas e cantariam juntas em outras oportunidades. A partir de então a jovem de 27 anos iniciaria uma brilhante carreira internacional. Dois anos depois estrearia no Metropolitan Opera House de Nova York, uma de suas principais “casas”, no papel de Desdemona, substituindo Teresa Stratas. A heroína do “Otello” de Verdi seria um dos mais reconhecidos papeis de Kiri, desde então.
Kiri brilharia como uma das principais sopranos líricas do firmamento operistico durante os anos 70, 80 e 90. Seu repertório muito extenso percorria Puccini, Wagner, Strauss, Massenet, Verdi e outros grandes mestres. Além disso, dedicou-se com afinco a interpretar canções, oratórios, operetas e diversos estilos de canto clássico. Nos anos 80 Kiri grava as Bachianas Brasileiras nº5, de Villa-Lobos, sem grande sucesso de crítica, mas com grande sucesso entre os fãs brasileiros.
A já consagrada Kiri te Kanawa seria parceira constante de grandes nomes da cena lírica internacional, como Luciano Pavarotti, Plácido Domingo(Seu principal parceiro em gravações), Federica von Stade, Jose vam, Dam, Piero Cappuccilli, Mirela Freni, dentre outros.
Além de brilhar na cena lírica, Kiri gravou grandes compositores populares americanos, como Cole Porter e George Gershwin, e também emprestou sua belíssima voz lírica a alguns musicais da Broadway, para o terror de muitos de seus fãs mais conservadores. Ao lado de Jose Carreras, Kiri gravou o famoso musical “West Side Story”, sob a batuta do próprio compositor, Leonard Bernstein. Kiri também dedicou-se a divulgar a música popular de seu povo, os Maori da Nova Zelândia, cantando sempre uma canção tradicional em seus concertos pelo mundo.
O concerto no Municipal iniciou-se com a Abertura da ópera “O Holandês Errante”, executada por uma tímida OSB. Bonito, mas nada de impressionar. Logo entra a convidada de honra, Dame Kiri te Kanawa. A voz já não é mais a mesma, é obvio. Porém continua firme: os agudos não fartos, mas seguros; os pianíssimos lindos como sempre; a técnica impecável. O repertório estava bem tímido. Nenhuma grande ária de Verdi, Mozart ou Puccini, compositores que Kiri sempre conservou em seu repertório. Começou com a sempre comovente ária de Marietta(reproduzida no link acima), da ópera “Die Tote Stadt”, de Korngold, cantada recentemente por Kiri no concerto de gala de despedida do ex-senhor MET, Joseph Volpe. Em seguida outra bela ária, "Depuis le Jour", da opera Louise, de Charpentier. Kiri deixa o palco e a orquestra continua com uma peça de Guarnieri. Em seguida a convidada volta com três canções de Richard Strauss e encerra o programa com quatro canções de Canteloube. Assim termina o programa oficial, que continua com dois "prêmios" ao publico brasileiro: uma canção brasileira (que não pude identificar) e a sempre encantadora "O mio babbino caro". Sob os aplausos da platéia Kiri retorna ao palco algumas vezes e, mesmo com a insistência e3 um senhor que na beira do palco pede mais um bis, Kiri indica o maestro Minczuk com a mão: agora fica com ele e a OSB o encerramento do concerto. O jovem e brilhante Roberto Minczuk e sua orquestra fazem jus à convidada com a suíte orquestral da ópera “Der Rosenkavalier”, de Richard Strauss. A OSB, que começou tímida e acompanhou apropriadamente a solista, termina com uma apaixonada e emocionante interpretação da suíte, que nos remete a passagens inesquecíveis desta ópera que é uma das mais belas de Strauss.
Enquanto escrevo, o dvd reproduz um concerto ao ar livre na Nova Zelândia, comprado numa dessas bancas de Jornais esquecidas pelos depósitos de revistas. Num determinado momento do concerto, o vento constante leva a partitura do primeiro violoncelista, no início de “In quelle trine morbide”. Kiri abaixa-se e pede a um homem no público que lhe entregue a folha, e então ela mesma devolve ao maestro para que ele passasse ao músico. A atitude da cantora me impressionou muito. Num mundo marcado por divas e divos histéricos que param o espetáculo por uma vaia, por uma briga com um colega ou um maestro, ou mesmo pelo simples motivo de o público ter aplaudido mais um cantor cujo papel era menor, Kiri demonstrou que é uma verdadeira artista. O show não pode parar.
A tarde de domingo no Municipal foi única. Assistir uma estrela como Kiri, no fim de sua carreira, é uma oportunidade emocionante para qualquer maníaco pelo mundo da ópera. Kiri foi uma das primeiras sopranos que conheci, quando comecei a me interessar por ópera. Na ocasião em que a ouvi pela primeira vez, cantava “Otello” na Arena di Verona, ao lado do fraco Vladmir Atlantov e do absolutamente incrível Piero Cappuccilli. Inesquecível foram suas palavras em um dos duetos entre Desdemona e Otello: Enquanto o marido enlouquecido tentava extrair da esposa a confissão da infidelidade, a bela e assustada esposa implora “Ah!... non son ciò che esprime quella parola orrenda”. As mais famosas interpretes da heroína de Shakespeare-Verdi-Boito aproveitam essa frase de grande intensidade dramática para exibir seus graves, mais ou menos guturais, dependendo de quem estiver interpretando. Porém Kiri nunca possuiu portentosos graves, mas mesmo assim dava uma acentuação emocionante ao apelo de Desdemona. Sua Desdemona nunca foi uma explosão da típica intensidade dramática das bem sucedidas interpretes verdianas, como Renata Tebaldi, Mirella Freni ou Kátia Ricciarelli. Mas, mesmo assim, Kiri encarnava uma Desdemona cuja femilinidade e fragilidade teve poucas concorrentes.
Os fãs de Kiri não estiveram no Theatro Muinicipal para ouvir um show pirotécnico de sobre-humana exibição vocal e dramática, pois o tempo é imperdoável com a maioria dos cantores líricos. O que esperávamos era ter a honra e a alegria de ver, talvez pela última vez no Brasil, a presença e o sorriso constante de Kiri. E ela, é claro, não frustrou nossas expectativas.
Os fãs de Kiri não estiveram no Theatro Muinicipal para ouvir um show pirotécnico de sobre-humana exibição vocal e dramática, pois o tempo é imperdoável com a maioria dos cantores líricos. O que esperávamos era ter a honra e a alegria de ver, talvez pela última vez no Brasil, a presença e o sorriso constante de Kiri. E ela, é claro, não frustrou nossas expectativas.
4 comentários:
uuuuuuuuuuuuuh...
que massa... sério mermo, mto massa isso tudo aqui, e com certeza a Te Kanawa deve ter dado um show....
e pode deixar que eu vou divulgar ele pra todo mundo!
;)
flw cara.
abração.
Excelente descrição do recital desta Diva!
Eu perdi essa, pois fiquei com medo de repetir suas duas equivocadas apresentações anteriores no Rio...
Mas fico feliz por quem foi e teve o privilégio de ouvi-la em um belo momento.
Abraços e obrigada: com seu texto praticamente me senti sentada na platéia!
Fatinha Costa
Ah, parabéns pelo blog: tem estilo, conteúdo e classe!
Fatima Costa
Parabéns, gostei muito do seu artigo sobre a apresentação de Kiri.
Eu a vi duas vezes em São Paulo há alguns anos. Seu repertório é curto, mas tudo o que fez sempre foi de muito bom gosto. Suas leituras de Mozart e de Richard Strauss são vercadeiras jóias raras.
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